segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia da poesia

Ah! As palavras...
Quem nunca caiu de língua,
tropeçando em palavras?

A. Spínola

domingo, 6 de março de 2011

Tempos modernos e de outros carnavais

Gostei tanto
                Um dia
De festas
           Como o carnaval
                                  E a micareta
Que me perdi no trio
                             Sem ouvi passar
O tempo
           Sem ouvir mudar o espaço
Sem me ouvir
                     Chamando a mim mesmo
A. Spínola

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Caminhada

Construí Caminhos
Pegando num batente de pedra e de terra
Fofa
Caminhei pisando esterco
Pisando espinhos
E cascas de melancia onde teimava escorregar
Caminhei por casas alheias
Soleiras de portas de madeira
Caminhei entre caminhos da roça
Entre corredores apertados
Por abraços de mandacarus
Percalços de xique-xiques e
Facheiros
Pousei
Que nem gavião
No meio do pasto
Perto do juá
Do lado da cerca apodrecida
Pela jornada da vida
Ah! Caminhar por estas bandas do sertão
Sem badogue
Sem peixeira nem canivete
Para um desatino... Viver o mundo...
Augusto Spínola

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Santanópolis - 2011

No portão de entrada
Um Renault
Na sala da quinta
Dois celtas e um courier
Na sala da sétima
Uma caminhonete
E um corsa – zerinho!
Na Cantina – Fox
Logus e uma ipanema
No pátio, corolas
Ducatos
Mercedes, apollos, clios
(Suspiro)
Nenhum pau-de-arara
Daqueles que enchiam a Feira
De gente
E de produtos

A. Spínola

domingo, 26 de dezembro de 2010

Matriz – Fsa



Enquanto
Fazia
a
Feira
Lembrava das
Festas da matriz
Carroças enfeitadas
Cheias de homens-putas
Desfilavam no
Meio
Da
Praça
Barracas se
Enfileiravam
Frente
Ao
Coreto
E
A igreja
As filarmônicas
(ah! As filarmônicas!)
Faziam-se
Ouvir
Enquanto
Um bêbado
Trôpego
Caia na frente
Das mulheres
Que traziam lenha...
- Ei, moço!
Vai pagar em miúdo?
Acordava e era trazido
De volta à feira
Retornava
Dos cortejos
Sagrados
Construídos
Por um
Povo
Carregado de luxúrias!
A. Spínola

Um beijo

Beijei a boca
Da noite
Passeando
Com a minha língua
No céu
Lambuzei estrelas
Brincando
De mordiscar
Lábios carnudos
De Luas
Lábios carnudos
Como os seus
A. Spínola

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dia sereno.. e bom


Um dia

o céu

há de ser

Azul pela manhã

Cinza no final

da tarde

E preto

prateado de estrelas

à noite

Um dia

o mundo

há de ser

Vermelho

pela nossa manhã de luta

Bucólico

pelas lembranças das casas entrecortadas

pela luz

do sol

no final da

tarde

E multicolorido

pela nossa alegria da noite

Um dia

comemoraremos

reforma agrária pela manhã

Igualdade social

por toda a tarde

E a preservação do meio ambiente

pela imensidão da noite

Um dia

seremos comuns

andando de bicicleta

pela manhã

Caminhando pela avenida

bem a tarde

bebendo cerveja à noite

com nossos amigos

Um dia o mundo

será mundo

será mundo

será mundo

Um dia

crenças vão cair por

terra

E todos seremos irmãos

Partidos políticos

não vão nos representar

Em congressos

e policiar

será verbo de pais

diante de todos

os filhos

Um dia seremos

corajosos

trocaremos o olhar do punhal

por palavras educativas

E a escola será

a rua

o bairro

a cidade

Um dia

pretos e brancos

serão todos pretosebrancos

E enquanto crescemos

faremos curso

de espanhol

de inglês

yorubá

francês

tupi...

Um dia

o mundo será

mundo

será mundo


A. Spínola