sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dia sereno.. e bom


Um dia

o céu

há de ser

Azul pela manhã

Cinza no final

da tarde

E preto

prateado de estrelas

à noite

Um dia

o mundo

há de ser

Vermelho

pela nossa manhã de luta

Bucólico

pelas lembranças das casas entrecortadas

pela luz

do sol

no final da

tarde

E multicolorido

pela nossa alegria da noite

Um dia

comemoraremos

reforma agrária pela manhã

Igualdade social

por toda a tarde

E a preservação do meio ambiente

pela imensidão da noite

Um dia

seremos comuns

andando de bicicleta

pela manhã

Caminhando pela avenida

bem a tarde

bebendo cerveja à noite

com nossos amigos

Um dia o mundo

será mundo

será mundo

será mundo

Um dia

crenças vão cair por

terra

E todos seremos irmãos

Partidos políticos

não vão nos representar

Em congressos

e policiar

será verbo de pais

diante de todos

os filhos

Um dia seremos

corajosos

trocaremos o olhar do punhal

por palavras educativas

E a escola será

a rua

o bairro

a cidade

Um dia

pretos e brancos

serão todos pretosebrancos

E enquanto crescemos

faremos curso

de espanhol

de inglês

yorubá

francês

tupi...

Um dia

o mundo será

mundo

será mundo


A. Spínola





quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Teje preso"


Se

um dia

         não te seguir

                            faltaram-me estradas

Não decifrei

o sentido do

                  ir

                      e

                       vir

parei

cercado por uma solidão incompreensível

sozinho

           eu comigo mesmo

sem o

        personagem

criado

         sem tempo

                       sem dinheiro

                                           sem sina...

sem caneta

               sem papel

                            ou notebook

apenas memórias

                      que não permitiam

                                                 a perda da identificação

enquanto assistia

                   algumas cenas do

                                              meu filme

("Memory Pictures" apresenta:)

sinais e

           gestos:

                      uma boca - e

                                   uma mão - procuravam aparecer

entre

      cabelos molhados

                                 e soltos

cabelos barras de ferro

                               grades!

que um dia

              no meio da feira

                                    prenderam

Todas as minhas
                         possibilidades

                                               preso



sozinho entre
                   o Mercado a

                                      Praça da Bandeira e

                                                                 as Casas Pernambucanas

tudo que me restou da feira

                                         foram
                                                memórias

uma garrafa de pinga

                                um quilo de farinha

                                                          e as cores das

barracas de frutas...

"teje preso, cabra!"




A. Spínola

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Inverno feirense

Junho
       é mês
de
   Altos e
               Baixos
É sanfona
              e fogueiras
Julho
      Chove mais
                      que
Agosto
        Que faz
                  Mais frio...

A Spínola

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Forró

Passava das três...

Ixe!

E quanto!

O som

da sanfona

Parecia

um trem alucinado

E o terreiro brilhava

como se cada calçado

lhe passasse

Um tipo de cera

Grãos de terra e estrelas

brilhavam

Acolhendo homens e mulheres em festa.

Apenas a Lua

Faltou ao encontro

As nuvens

Se fizeram presentes

Derramaram gotas de chuva

Para animar o pessoá!
Mas teve discórdia.

E a faca puxada

Furou as mãos do triângulo

E o bucho da sanfona!

Lágrimas escorriam

Enquanto

A lâmina fugia!

A sorte foi que

O médico

Estava no baile

E costurou mãos e

bucho

salvando acordes.

Talvez po isso

A Lua

Não tenha vindo...

Pressentiu a luta

Por mulheres-fadas

Zangou-se

Trancou-se no seu

Quarto escuro do Universo.

Dali levaria um mês

para sair.


A. Spínola






terça-feira, 18 de maio de 2010

Feira livre de Brasília


Bananas tem
Em Brasília
Laranjas tem
Em Brasília
Abacaxis tem
Em Brasília
Pepinos tem
Em Brasília
Carcaças tem
Em Brasília
Carne de porco tem
Em Brasília
Galinhas tem
Em Brasília
Vacas tem
Em Brasília
Tem até farinha
da mesma Brasília!

A Spínola

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sobre Feira de Santana...


Não nasci em Feira de Santana,

Que pena...

Mas escolhi Feira

Para o meus filhos nascerem.

A. Spínola

terça-feira, 9 de março de 2010

Resgate Histórico e manifestações culturais na Escola



Fevereiro de 2010. Recebo um convite para participar de um projeto intitulado Resgate Histórico, lá no CETEB. Tratei sobre a construção deste projeto e em especial d e um momento denominado de Roda de Conversa em texto anterior. Nesse momento, direciono meu olhar, minhas memórias, para a produção final do evento no pátio da instituição, alguns dias atrás. Alunos de cursos pofissionalizantes, adultos (sim, adultos!) envolvidos feito crianças (sim, feito crinças!)com manifestações culturais do município de Feira de Santana e representações montadas a partir de pesquisas realizadas por eles, com orientações de alguns professores. O pátio com a "Caminhada Cultural" siginificou um certos de contas com questões de identidades: ninguém precisou receber aulas de samba de roda para poder sambar, ninguém precisou ensaiar uma quadrilha junina para poder representá-la, nem muito menos trajar-se de manifestante da lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim (de Feira), para poder ver-se inserido nesta atividade. Ninguém precisou de aulas de reisado (de São Vicente, lá do Tiquaruçu) para compreender que música e dança, que cultura popular e povo de Feira de Santana, nascido ou récem chegado aqui, estão interligados por uma cumplicidade/identidade cultural que faz-nos esquecer por alguns instantes, de outros ritmos, de outras danças, de outras manifestações tratadas de forma massificadora, por exemplo, por parte da mídia. Foi uma manhã e uma tarde, com alunos de Enfermagem, de Química, de Eletroeletrônica, de Eletrotécnica e de Podução de Moda, que começaram sua formação profissional buscando encontrar elementos da nossa cultura sertaneja-nordestina-feirense em seus gens. Em suas memórias, nas suas tradições familiares -nos seus pais, avós, tios, irmãos... Diria que em alguns vizinhos, até! Afinal somos um povo! Um só povo envolvido. Um só povo entrelaçado. Por uma sina e sinais de uma diversidade cultural para além de festiva e religiosa, congregadora. Conspiradora. Formadora de (novos) destinos e (nova) determinação de vida cidadã. Profissional. Nunca a escola foi tão produtiva.Nunca mais nossas vidas serão as mesmas. E foi só uma passo. Afinal, pareceu-me que o gosto ficou em cada aluno. Em cada professor, em cada convidado, em cada participante.
Qual será o nosso próximo projeto?

A. Spínola