No
Brasil
O tempo
Passa em
Branco
Em preto
Em pardo e
Em índio.
Há pouco, em amarelo.
Augusto Spínola
Espaço para publicações/discussões sobre pensamentos e memórias...
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Andando pela Feira
Passeei pela Feira
Fui até o mercado
Barracas de roupas
De relógio
Até de sapatos
Substituem
Cheiro de frutas
Ainda bem que encontrei
Um carrinho
De mão
Cheio de Tangerinas...
Augusto Spínola
Fui até o mercado
Barracas de roupas
De relógio
Até de sapatos
Substituem
Cheiro de frutas
Ainda bem que encontrei
Um carrinho
De mão
Cheio de Tangerinas...
Augusto Spínola
domingo, 2 de novembro de 2008
Feira de Santana
Uma feira
2ª: feira
3ª: feira
4ª:feira
5ª: feira
6ª: feira
Final de semana
Sábado : Feira no Centro de Abastecimento
Domingo: Missa na Matriz
Outra Feira
2ª: feira
...
Augusto Spínola Jr.
2ª: feira
3ª: feira
4ª:feira
5ª: feira
6ª: feira
Final de semana
Sábado : Feira no Centro de Abastecimento
Domingo: Missa na Matriz
Outra Feira
2ª: feira
...
Augusto Spínola Jr.
Estilo da Lua
Veio então
A lua
Numa produção
De cinema
Vestida?
Não
Cheia de si...
Augusto Spínola Jr.
A lua
Numa produção
De cinema
Vestida?
Não
Cheia de si...
Augusto Spínola Jr.
Diaxo de povo
Diaxo de
Povo!
Vive
Com
Sorriso
Solto
Alegria
Em pessoa
Que
Nem
Malandro
Após aplicar
Um golpe
Sorte
Pura sorte
Malícia
Pura malícia
Um dia
Compro um sorriso
Destes
Enorme
E vivo de lamber
Os beiços.
Augusto Spínola
Povo!
Vive
Com
Sorriso
Solto
Alegria
Em pessoa
Que
Nem
Malandro
Após aplicar
Um golpe
Sorte
Pura sorte
Malícia
Pura malícia
Um dia
Compro um sorriso
Destes
Enorme
E vivo de lamber
Os beiços.
Augusto Spínola
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Colégio Santanópolis e Lucas da Feira
Estudar a literatura de folheto é aproximar-se de um mundo onde se confunde palavra escrita e palavra falada. Fui apresentado à Literatura de Cordel na década de 1970. Uma irmã lia durante as tardes, títulos como: “A filha que xingou a mãe e virou cavala”; “Os cabras de Lampião”; “A peleja do cego Aderaldo com o Zé Pretinho”. Nessas tardes éramos obrigados a ir descansar, por ordem do meu pai. Um castigo que sofríamos por algo que tivéssemos feito, talvez por algo que viéssemos a fazer.
De qualquer maneira, nos restava como consolo saber que dormir depois do almoço era herança de avós e bisavós, que continuava sertão adentro lá pelas nossas bandas, na pequena vila de Pé de Serra, no nordeste da Bahia. O costume viera da Europa, com portugueses espanhóis e italianos e foi nos atingir lá, num micro mundo brasileiro de tão poucas pessoas, que chegávamos a nos (re) conhecer pelo assobio que ouvíamos nos longos silêncios das tardes. Silêncio quebrado por passos nas ruas, gritos, cantos de pássaros, aboios – registrando a passagem de mais uma boiada – ou choros, sinal de castigos por alguma desobediência.
Ainda na década de 1970, vim morar em Feira de Santana. Que cidade enorme! Vim para estudar no Colégio Santanópolis, que se acreditava ser o melhor da cidade. Ainda não havia sido apresentado, pelos professores da escola, à Área de Ciências Humanas, mas ouvia as histórias dos cordéis e casos que faziam parte das conversas das noites lá na roça, quando os mais velhos falavam sobre enchentes, chacinas e assombrações que não me deixavam dormir direito.
No colégio Santanópolis, atraente era o laboratório de química, que, além de cheio de tubos, chamava a nossa atenção por possuir um feto de três meses, o que, além da aula, nos fazia pensar sobre sermos cientistas. Nos dias de sábados e segundas, a feira armada na Avenida Getúlio Vargas, prendia a atenção de todos. Em frente ao colégio, o que se comercializava eram os cordéis, da mesma forma como encontramos nas referências sobre suas origens: um barbante com livretos pendurados e rumas amontoadas sobre um plástico! Os vendedores liam muitas histórias para despertar a curiosidade e estimular a venda dos folhetos. Eu assistia as narrativas como um espectador, ouvindo-as ao mesmo tempo em que aconteciam aulas de Matemática, de Português, de Geometria, ou História. Aquela aula que, no colégio, desconhecia ou desprezava as histórias narradas e conhecidas do lado de fora. Mas era necessário entrar e cumprir o ritual: escola, aula, colegas, professores e perguntas. Na minha cabeça, uma inquietação: o que acontecera à princesa que estava para ser devorada pelo dragão? Como terminaria a história deste folheto?
Naquele período não fazia a menor idéia dos estudos sobre tradição, oralidade, história, cultura e história social que aconteciam mundo afora e de que eu fazia parte, daquele meu jeito, sujeito, “fazedor de história”, ouvindo casos sobre pactos com o demônio, sobre pedras preciosas, sobre escravos, bandidos, cangaceiros, veiculados pelos folhetos de cordel. Quanta diferença da história produzida e ensinada na sala de aula, daquela que vivenciava como fazedor de história, menino da roça, de infância vivida entre serras do sertão e entre “pilhas” de gente da Feira de Santana.
Mas a década de 1970 se foi e quase me separou do cordel. Talvez o que ainda me mantivesse preso a esse tipo de literatura, tão presa a tradições orais, fossem os casos, as conversas na frente da casa à noitinha. Destes não me separei.
Não me separei dos casos da roça, nem da vontade de falar sobre aquele mundo que se preparava de terça-feira a domingo, para ir à Feira, no dia de segunda. Na verdade, o principal meio de transporte, um pau-de-arara – (denominação muito usada no interior do Nordeste, quando nos referíamos aos caminhões que transportavam pessoas de um lugar para outro, pelo fato dos viajantes, “araras”, se sentarem em tábuas que atravessavam a carroceria do caminhão, daí o termo, pau-de-arara.) - partia domingo à tarde e chegava à noite.
Para passar o tempo, contávamos os jegues que víamos nas margens da estrada. Meu avô – de quem trago enormes lembranças e muitas lições sobre tropas, agricultura e lojas, (ainda que tenha morrido quando eu tinha onze anos), era comerciante e negociava ouro com os poderosos da Feira de Santana. Enquanto criança, ouvia seus casos de viagens a cavalo, trazendo ouro ou gado, em percursos de três ou quatro dias, da roça para Feira de Santana. Quem sabe foi nesse percurso, quando ouvia casos sobre Lucas da Feira, que tive despertada, ainda em criança, a vontade de buscar conhecer aquele que assaltava os boiadeiros[1], os negociantes de fumo e de ouro, que viajavam pelas estradas de Feira.
Mais tarde, na Universidade Estadual de Feira de Santana, surgiu a possibilidade de lidar com esta produção cultural. Eis-me historiador, no papel de transformar em produção científica, os casos ouvidos, que revelavam uma significativa parte da cultura daquela comunidade.
É certo que este texto, ou melhor, a idéia para esta produção, é fruto dessas rodas de casos, nas quais eu ouvia com atenção o que se falava sobre Lucas. Cada caso, cada memória, revelavam um novo sujeito. Não eram novas memórias sobre Lucas, mas novos Lucas que surgiam após cada episódio, após cada caso contado...
[1] POPPINO, Rollie E. Feira de Santana. [Tradução Arquimedes Pereira Guimarães]. Salvador: Itapuã, 1968. 328 p. (Baiana).
De qualquer maneira, nos restava como consolo saber que dormir depois do almoço era herança de avós e bisavós, que continuava sertão adentro lá pelas nossas bandas, na pequena vila de Pé de Serra, no nordeste da Bahia. O costume viera da Europa, com portugueses espanhóis e italianos e foi nos atingir lá, num micro mundo brasileiro de tão poucas pessoas, que chegávamos a nos (re) conhecer pelo assobio que ouvíamos nos longos silêncios das tardes. Silêncio quebrado por passos nas ruas, gritos, cantos de pássaros, aboios – registrando a passagem de mais uma boiada – ou choros, sinal de castigos por alguma desobediência.
Ainda na década de 1970, vim morar em Feira de Santana. Que cidade enorme! Vim para estudar no Colégio Santanópolis, que se acreditava ser o melhor da cidade. Ainda não havia sido apresentado, pelos professores da escola, à Área de Ciências Humanas, mas ouvia as histórias dos cordéis e casos que faziam parte das conversas das noites lá na roça, quando os mais velhos falavam sobre enchentes, chacinas e assombrações que não me deixavam dormir direito.
No colégio Santanópolis, atraente era o laboratório de química, que, além de cheio de tubos, chamava a nossa atenção por possuir um feto de três meses, o que, além da aula, nos fazia pensar sobre sermos cientistas. Nos dias de sábados e segundas, a feira armada na Avenida Getúlio Vargas, prendia a atenção de todos. Em frente ao colégio, o que se comercializava eram os cordéis, da mesma forma como encontramos nas referências sobre suas origens: um barbante com livretos pendurados e rumas amontoadas sobre um plástico! Os vendedores liam muitas histórias para despertar a curiosidade e estimular a venda dos folhetos. Eu assistia as narrativas como um espectador, ouvindo-as ao mesmo tempo em que aconteciam aulas de Matemática, de Português, de Geometria, ou História. Aquela aula que, no colégio, desconhecia ou desprezava as histórias narradas e conhecidas do lado de fora. Mas era necessário entrar e cumprir o ritual: escola, aula, colegas, professores e perguntas. Na minha cabeça, uma inquietação: o que acontecera à princesa que estava para ser devorada pelo dragão? Como terminaria a história deste folheto?
Naquele período não fazia a menor idéia dos estudos sobre tradição, oralidade, história, cultura e história social que aconteciam mundo afora e de que eu fazia parte, daquele meu jeito, sujeito, “fazedor de história”, ouvindo casos sobre pactos com o demônio, sobre pedras preciosas, sobre escravos, bandidos, cangaceiros, veiculados pelos folhetos de cordel. Quanta diferença da história produzida e ensinada na sala de aula, daquela que vivenciava como fazedor de história, menino da roça, de infância vivida entre serras do sertão e entre “pilhas” de gente da Feira de Santana.
Mas a década de 1970 se foi e quase me separou do cordel. Talvez o que ainda me mantivesse preso a esse tipo de literatura, tão presa a tradições orais, fossem os casos, as conversas na frente da casa à noitinha. Destes não me separei.
Não me separei dos casos da roça, nem da vontade de falar sobre aquele mundo que se preparava de terça-feira a domingo, para ir à Feira, no dia de segunda. Na verdade, o principal meio de transporte, um pau-de-arara – (denominação muito usada no interior do Nordeste, quando nos referíamos aos caminhões que transportavam pessoas de um lugar para outro, pelo fato dos viajantes, “araras”, se sentarem em tábuas que atravessavam a carroceria do caminhão, daí o termo, pau-de-arara.) - partia domingo à tarde e chegava à noite.
Para passar o tempo, contávamos os jegues que víamos nas margens da estrada. Meu avô – de quem trago enormes lembranças e muitas lições sobre tropas, agricultura e lojas, (ainda que tenha morrido quando eu tinha onze anos), era comerciante e negociava ouro com os poderosos da Feira de Santana. Enquanto criança, ouvia seus casos de viagens a cavalo, trazendo ouro ou gado, em percursos de três ou quatro dias, da roça para Feira de Santana. Quem sabe foi nesse percurso, quando ouvia casos sobre Lucas da Feira, que tive despertada, ainda em criança, a vontade de buscar conhecer aquele que assaltava os boiadeiros[1], os negociantes de fumo e de ouro, que viajavam pelas estradas de Feira.
Mais tarde, na Universidade Estadual de Feira de Santana, surgiu a possibilidade de lidar com esta produção cultural. Eis-me historiador, no papel de transformar em produção científica, os casos ouvidos, que revelavam uma significativa parte da cultura daquela comunidade.
É certo que este texto, ou melhor, a idéia para esta produção, é fruto dessas rodas de casos, nas quais eu ouvia com atenção o que se falava sobre Lucas. Cada caso, cada memória, revelavam um novo sujeito. Não eram novas memórias sobre Lucas, mas novos Lucas que surgiam após cada episódio, após cada caso contado...
[1] POPPINO, Rollie E. Feira de Santana. [Tradução Arquimedes Pereira Guimarães]. Salvador: Itapuã, 1968. 328 p. (Baiana).
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
O sonho
Um sorriso amanheceu no canto da boca
Feito sorriso de menino endiabrado
Com cara sempre de quem aprontou algumas
Sorriso vindo de pensamento bobo
De visões excitantes, de saudades
De fogueiras acesas em noites de lua
Vai ver menino
Teve um sonho com uma bruxa de Avalon
De outros tempos e História
E lá andava no meio do mato
No meio das brumas, ciente de não ser conhecido
Senão pelos sonhos da floresta
Por isso o sorriso no canto da boca
Se fosse no Brasil diria que parecia o curupira
Encostado no troco da árvore pitando
Resmungando palavras que seriam sempre suas
Xingamentos
Por não saber conquistar a lua
Coisas de menino ...
Augusto Spínola Jr.
Feito sorriso de menino endiabrado
Com cara sempre de quem aprontou algumas
Sorriso vindo de pensamento bobo
De visões excitantes, de saudades
De fogueiras acesas em noites de lua
Vai ver menino
Teve um sonho com uma bruxa de Avalon
De outros tempos e História
E lá andava no meio do mato
No meio das brumas, ciente de não ser conhecido
Senão pelos sonhos da floresta
Por isso o sorriso no canto da boca
Se fosse no Brasil diria que parecia o curupira
Encostado no troco da árvore pitando
Resmungando palavras que seriam sempre suas
Xingamentos
Por não saber conquistar a lua
Coisas de menino ...
Augusto Spínola Jr.
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